9 de setembro de 2010

Lenta e perdida, 'Ribeirão do Tempo' tenta recuperar o fôlego


Quando estreou, Ribeirão do Tempo, da Record, chamava a atenção justamente pela agilidade da trama bem acabada. Mas rapidamente caiu em um marasmo que quase condenou o folhetim de Marcílio Moraes. O autor resolveu, então, desenvolver tramas que estavam prometidas na novela antes mesmo de sua estreia: assassinato, conspiração política e romances típicos das novelas clássicas.

O resultado, porém, ainda não garantiu a recuperação do fôlego, mas deu uma esperança de vida à novela. Com uma audiência que regula entre os 9 e 11 pontos - e que consolidou finalmente o folhetim como vice-líder da faixa das dez - a produção cresceu com o tão anunciado acidente de avião sofrido pelo piloto Sílvio, vivido por Rodrigo Phavanello. A cena garantiu uma explosão realista com tomadas aéreas complicadas e bem feitas, que destacam a direção de Edgard Miranda.

Apesar do paraquedista Newton, atuação inexpressiva de Rafael Calomeni, ser o principal suspeito da explosão, por trás do acidente está o grupo da conspiração política que planeja conquistar a Presidência da República a partir de um golpe de estado. O que surpreende é que quem está por trás da inverossímil conspiração é um senador e um ativista da pequena e pacata cidade do interior, que está longe de ser influente no país. As atuações de Heitor Martinez, que representa a aristocracia na política como o senador Nicolau, e de Antônio Grassi, o professor e ativista Flores, o grande articulador político da trama, não chegam a comprometer a seriedade do assunto. Mas os olhos apertados e a voz baixa e maliciosa ao conversar sobre as tramóias fazem a dupla se assemelhar a vilões de contos de fadas.

Já o anti-herói Joca, que se destaca pela interpretação natural de Caio Junqueira, está perdido na trama. O protagonista chega a não aparecer em alguns capítulos e, quando marca presença, ocupa o espaço de uma figuração luxuosa. E seu romance "à la" gato e rato com a antipática Arminda perde com a interpretação petrificada de Bianca Rinaldi.

Em contrapartida, o núcleo popular da novela esbanja fluidez e interpretações marcantes. Formado pelo bêbado Querêncio, de Taumaturgo Ferreira, a mocinha açucarada Filomena, vivida por Liliana Castro, o boa praça Romeu, que se destaca pela interpretação repleta de improvisos de Zé Dumont, e por Sancha, de Solange Couto, a trama é leve e engraçada. Além disso, é nela que o folhetim promete encontrar o fôlego perdido com a relação recém-descoberta de mãe e filho entre Madame Durrel, de Jacqueline Laurence, e Querêncio, que não se suportavam antes de se reconhecerem como parentes. É quase impossível não torcer pela boa moça Filomena, que até agora só se deu mal mas está prestes a dar uma virada quando se assumir como neta de Durrel. Com personagens populares, fruto da escola de Dias Gomes - com quem escreveu folhetins como Roque Santeiro e Mandala -, Marcílio tem uma trama com potencial, mas que ainda precisa desenrolar.

Ribeirão do Tempo - Record - Segunda a sexta, às 22h15.
TERRA

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